JEAN DE LA BRUYÈRE

La Bruyère, retrato atribuído a Nicolas de Largillierre.

Um dos maiores nomes do classicismo francês, La Bruyère expressou com clareza e aguda percepção psicológica as transformações sociais da França de Luís XIV.
Jean de La Bruyère nasceu em Paris, em 16 de agosto de 1645. Recebeu sólida educação humanística e estudou direito em Orléans. Em 1684, graças à intervenção do teólogo e humanista Jacques-Bénigne Bossuet, foi designado preceptor do duque Luís de Bourbon, neto do príncipe de Condé, e permaneceu a serviço deste como bibliotecário do castelo de Chantilly.
O contato direto com o mundo da corte lhe forneceu material para a redação da obra que o tornou célebre: Les Caractères de Théophraste traduits du grec avec les caractères ou les moeurs dece siècle (1688; Os caracteres de Teofrasto, traduzidos do grego com os caracteres deste século). Embora de início concebida como uma tradução do autor grego Teofrasto, a obra se notabilizou por um apêndice, redigido por La Bruyère, que constituía não apenas valioso quadro dos costumes sociais, mas também uma profunda análise do comportamento humano.
O método empregado por La Bruyère consistiu em definir diversas qualidades e depois personificá-las por meio de um estilo preciso e satírico, adequado para sua crítica do relaxamento moral da época. A popularidade do livro se deveu em grande parte à crença de que seus personagens haviam sido inspirados por conhecidas personalidades da vida social, o que foi negado pelo autor. Em pouco tempo, publicaram-se oito edições da obra e, em 1693, La Bruyère ingressou na Academia de Letras da França.
La Bruyère foi defensor incondicional dos valores éticos e religiosos, mas soube transcender os limites ideológicos do século XVII e se ocupou da realidade política, social e econômica subjacente à mudança dos padrões de moralidade. Em uma obra inacabada, de publicação póstuma, Dialogues sur le quiétisme (1698; Diálogos sobre o quietismo), fez firme defesa da ortodoxia católica. Os autores realistas do século XIX, tais como Gustave Flaubert e os irmãos Goncourt, admiraram e estudaram suas técnicas literárias. La Bruyère morreu em Versalhes, em 10 ou 11 de maio de 1696.


Fontes: Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda; Gallica; Wikipedia.

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