DIÁLOGOS DO IMAGINÁRIO II – Conversas com Oswald Wirth
Passaram-se anos desde a tradução de Oswald Wirth e da organização das primeiras conversas reunidas sob o título “Diálogos do Imaginário”. A senda maçônica, entretanto, não se extinguiu: permaneceu resguardada em antigos arquivos, revisitados de tempos em tempos — sem avental, sem malhete, sem Loja, mas ainda com minhas luvas brancas.
Este segundo volume retrata a perplexidade de um iniciado diante das exigências da Arte Real. Ele questiona o auto aperfeiçoamento sem garantias e sem recompensas. Wirth não promete transformar o mundo. Sua proposta é mais exigente. Ele propõe transformar o homem por meio de uma filosofia que se molda ao grau de autoconhecimento de cada um.
Não há promessa de salvação. Há, antes, a descrição de um caminho no qual a maior conquista consiste em aceitar que não existe conquista final; que o trabalho é incessante porque o homem é imperfeito; que a acácia cresce sobre o túmulo, ainda que o jardineiro jamais contemple a árvore adulta.
Os diálogos se sustentam na distância crítica e na recusa ao proselitismo, privilegiando uma linguagem acessível, despojada de jargões excessivos. O percurso contempla as etapas essenciais da jornada simbólica: o despertar doloroso da consciência e o despojamento dos metais; a descida voluntária à Câmara de Reflexões e as provas dos quatro elementos — Terra, Ar, Água e Fogo; o batismo iniciático, no qual o cálice começa doce e se revela amargo.
A Loja surge como um microcosmo regido por Sabedoria, Força e Beleza. A geometria filosofal, o número cinco, a letra G e o salário — não em ouro, mas em força renovada pela entrega — compõem o horizonte simbólico que orienta o caminhante.
O Mestrado e a segunda morte assinalam o retorno ao ponto de partida, trazendo consigo a desilusão absoluta do grau máximo. A Câmara do Meio, o corpo de Hiram e a acácia que insiste em brotar sobre o túmulo reafirmam a continuidade do trabalho, mesmo diante da finitude.
Este livro não oferece respostas prontas. Propõe, apenas, uma conversa franca entre um profano resistente e um Mestre de outro tempo — uma reflexão sobre o preço da consciência, a beleza do limite e a coragem de perseverar na obra, mesmo sabendo que o Templo jamais estará concluído.
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