Coisas assim

Tem coisas assim... Como essa imagem que encontrei enfiada no vão de uma rampa, escondida. Então fotografei. Não a trouxe comigo. Fiquei apenas pensando o que leva alguém a perder coisas assim, tão estranhamente.

Novena das Almas Aflitas

Entrei na Igreja. Queria fotografar os vitrais, os altares, o templo, enfim... E encontrei isso. Achei tocante e trouxe até aqui. Impossível não me recordar da infância, e de como me representava as almas do purgatório.   Cismava com toda essa história de pecado, sofrimento, castigo. E ficava, criança, imaginando como seria esse lugar cheio de sofrimento, onde as pobres almas desejam o tempo todo luz, orações, pensamentos, jaculatórias... Não bastasse a morte, com toda sua carga de inomináveis nuncas, ainda se prorrogam as escuridões para o além. Contudo, se nossa dita civilização criou um purgatório e povoou-o de almas, conferindo-lhe, inclusive, a capacidade de sofrer, é justo que crie também mecanismos para que se alivie nelas essa dor que as aflige. Oremos por elas, então, por todos, por nós. Por deus ele mesmo. 

Arte

A história está toda aí. Todas as respostas podem ser encontradas, se soubermos interrogar corretamente a imagem. Ela dá notícias de um tempo, de hábitos, de posturas, olhares, cores e formas que vigoraram um dia. Pode-se sentir o tempo dedicado à escultura, pode-se perceber, nas curvas do tecido e na inclinação da cabeça, no gesto dos braços, na perfeição da cromagem e da douração, a expressão de um artista que atravessou o tempo, que vive e que viverá ainda, eternizado pela persistência da memória que vibra em sua obra. Diante disso, que importa seu anonimato?