Unidade

De outras coisas nunca farás o Um, enquanto não te houveres, primeiro, convertido no Um.
Dorn

Santidade


Impressionou-me essa imagem, na verdade um detalhe, dessa santidade, quem sabe aviltada, quem sabe pós-modernizada, tornada reclame, embalagem, anúncio de conteúdo.

Eros e o Poder

Ali onde predomina o amor não há vontade de poder, e onde há predominância do poder, não há amor. Um é a sombra do outro. Aquele que se coloca do ponto de vista do eros tem o oposto compensador na vontade de poder. Mas aquele que enfatiza o poder tem como compensação o eros. Vista do ângulo unilateral do posicionamento da consciência, a sombra é uma parte de menor importância da personalidade, e por isso é reprimida por uma intensa resistência. Mas aquilo que é reprimido precisa tornar-se consciente para que se crie uma tensão dos opostos, sem a qual não há possibilidade da continuidade do movimento. De certa forma, a consciência é em cima e a sombra é embaixo, e como o que está no alto sempre tende a descer às profundezas, o quente ao frio, assim toda consciência, talvez até sem perceber, busca por seu oposto inconsciente, sem o qual ela é condenada à estagnação, ao assoreamento ou à fossilização. Só nos opostos é que a vida se acende.
JUNG, C. G. Sobre o Amor. Aparecida, SP: Idéias & Letras, 2005, p. 37.

O Círculo

A Dra. M.L. von Franz explicou o círculo (ou esfera) como um símbolo do self: ele expressa a totalidade da psique em todos os seus aspectos, incluindo o relacionamento entre o homem e a natureza. Não importa se o símbolo do círculo está presente na adoração primitiva do sol ou na religião moderna, em mitos ou em sonhos, nas mandalas desenhadas pelos monges do Tibete, nos planejamentos das cidades ou nos conceitos de esfera dos primeiros astrônomos, ele indica sempre o mais importante aspecto da vida — sua extrema e integral totalização.
O Homem e seus símbolos, C. G. Jung

Curiosidade

A Proscrição dos Antigos Cultos

"Quando o cristianismo proscreveu o exercício público dos antigos cultos, obrigou os partidários das religiões a se reunirem em segredo para a celebração dos seus mistérios. A estas reuniões presidiam iniciados que estabeleceram logo, entre os diversos matizes destes cultos perseguidos, uma ortodoxia que a verdade mágica lhes ajudava a estabelecer com tanto mais facilidade, quanto a proscrição reúne as vontades e estreita os laços da fraternidade entre os homens. Assim, os mistérios de Isis, de Ceres Eleusina, de Baco, se reuniram aos da boa deusa e do druidismo primitivo. As assembléias se realizavam ordinariamente entre os dias de Mercúrio ou Júpiter, ou entre os de Vênus ou Saturno; aí se ocupavam dos ritos da iniciação, trocavam sinais misteriosos, cantavam os hinos simbólicos, uniam-se por meio de banquetes e formavam sucessivamente a cadeia mágica pela mesa e a dança; depois separavam-se, após terem renovado os juramentos entre as mãos dos chefes e recebido as suas instruções. O recipiendário do Sabbat devia ser levado à assembléia com os olhos cobertos pelo manto mágico, com o qual o envolviam inteiramente; faziam-no passar sobre grandes fogueiras e faziam, ao redor dele, ruídos espantosos. Quando descobriam o seu rosto, ele via-se rodeado de monstros infernais e em presença de um bode colossal e monstruoso, que lhe ordenavam de adorar. Todas estas cerimônias eram provas da sua força de caráter e da sua confiança nos seus iniciadores. Principalmente a última prova era decisiva, porque apresentava, a princípio, ao espírito do recipiendário, alguma coisa humilhante e ridícula: tratava-se de beijar respeitosamente o traseiro do bode e a ordem era dada sem cerimônia ao neófito. Se recusava cobriam-lhe a cabeça e o transportavam longe da assembléia com tal rapidez, que ele acreditava ter sido carregado pelas nuvens; se aceitava, faziam-no girar ao redor do ídolo, e aí ele achava, não uma coisa repelente ou obscena, mas o fresco e gracioso rosto de uma sacerdotisa de Isis ou Maia, que lhe dava um beijo maternal; depois era admitido ao banquete".
LEVI. Elifas. Dogma e Ritual da Alta Magia. São Paulo: Pensamento, Ed. Digital por Alvares Montelli.

O Livro Vermelho de Jung ― Narrativas de uma Viagem Interior

Mantido em segredo em um cofre de banco durante cinqüenta anos, o majestoso Livro Vermelho ou Liber Novus do psicanalista C. G. Jung é apresentado ao museu Guimet em seu exemplar original, pela primeira vez na França. Trata-se de uma obra caligráfica, iluminada e ilustrada de sua própria mão, cuja edição francesa coincide com a 50º aniversário da morte do fundador da psicologia analítica. A obra será completada por um conjunto de peças realizadas pelo próprio Jung, assim como por obras do Museu Guimet, ilustrando o interesse de Jung pela Ásia, ou evocando algumas das experiências que ele viveu, quando de sua viagem às profundezas da psique humana.Fonte: http://www.guimet.fr/Le-Livre-Rouge-de-C-G-Jung-Recits

Príncipe Adepto

Os Querubins e respectivos planetas governados e cores: Miguel - Saturno - Negro; Gabriel - Júpiter - Alaranjado; Uriel - Marte - Vermelho; Zaraiel - Sol - Dourado; Hamaliel - Vênus - Verde; Rafael - Mercúrio - Azul; Tsafiei - Lua - Prateado. Querubins, para a tradição judaica, são os Arcanjos Planetários, também conhecidos por Malakins. Eles trazem uma espada na mão, pois são os Guardiões do Santuário. No Altar de cada um deles há uma lâmpada da respectiva cor planetária.
P.S. Adonai; R. Abrac (meu pai); P.P: Stibium (antimônio).
B. !!!!!!
É noite sobre a Terra, porém o Sol está no meridiano da L.
Os homens seguem sempre o erro: poucos o combatem, poucos chegam ao lugar santo.

A Velhice

"Logo depois, estava retratada a Velhice, um passo atrás do lugar que deveria ocupar, pois ela mal se mantinha em pé, de tão velha e maltratada. Sua beleza havia murchado, tornara-se muito feia. Tinha a cabeça velha e branca, como se os cabelos tivessem florescido. Meu Deus, sua morte não seria uma grande perda nem uma grande desgraça, pois todo o seu corpo havia secado e se enrugado pela idade. Seu rosto, cheio de rugas, outrora fora suave e liso; agora estava repleto de cicatrizes. Suas orelhas eram cabeludas e não lhe restava nenhum dente, pois havia perdido todos. Era tão velha que parecia que não podia andar quatro passos sem a ajuda de muletas. O tempo, que corre noite e dia sem pausa nem repouso, passa por nós tão silenciosamente que por um momento acreditamos que ele se deteve, quando na verdade nunca descansa nem deixa de correr, de forma que não se pode pensar que existe o presente; e, se perguntares a um homem douto nas letras, antes que ele tenha respondido, haverá transcorrido três tempos. O tempo, aquele que não pode ser detido e que sempre avança sem voltar, como a água que flui sem que regresse uma gota; o tempo, a quem ninguém resiste, nem o ferro, nem qualquer outro objeto duro; o tempo, que faz com que as coisas cresçam depressa, que rapidamente cria e tudo destrói e faz apodrecer; o tempo, que envelheceu nossos pais, que envelheceu prematuramente reis e imperadores, e que todos nós tornará velhos e adiantará nossa morte; o tempo, que tem o poder de envelhecer todas as coisas, a havia envelhecido tanto que, em minha opinião, fez com que ela não pudesse amparar-se sozinha, e assim, a fez retornar à infância, pois não tinha mais capacidade, nem força e juízo que um menino de um ano de idade. Embora, segundo creio, ela tivesse sido discreta e culta quando estava na idade madura, nada havia lhe restado e ficara atordoada". ROMANCE DA ROSA, Guilherme de Lorris (1200-1230). Trad.: Sonia R. Peixoto.

A Nau dos Insensatos

A água e a navegação têm realmente esse papel. Fechado no navio, de onde não se escapa, o louco é entregue ao rio de mil braços, ao mar de mil caminhos, a essa grande incerteza exterior a tudo. É um prisioneiro no meio da mais livre, da mais aberta das estradas: solidamente acorrentado à infinita encruzilhada. É o Passageiro por excelência, isto é, o prisioneiro da passagem. E a terra à qual aportará não é conhecida, assim como não se sabe, quando desembarca, de que terra vem. Sua única verdade e sua única pátria são essa extensão estéril entre duas terras que não lhe podem pertencer. É esse ritual que, por esses valores, está na origem do longo parentesco imaginário que se pode traçar ao longo de toda a cultura ocidental? Ou, inversamente, é esse parentesco que, da noite dos tempos, exigiu e em seguida fixou o rito do embarque? Uma coisa pelo menos é certa: a água e a loucura estarão ligadas por muito tempo nos sonhos do homem europeu.FOUCAULT, Michel. História da loucura. São Paulo: Perspectiva.
Ref: A Nau dos Insensatos

O sentido das representações


Construir sentidos para as representações que Bosch coloca em seus trabalhos constitui-se em um dos mais instigantes desafios à nossa intuição. A racionalidade empobrecida se recusa a admitir que o imaginário possua sentidos ou significados relevantes; paradoxalmente, as formas e as cores atuam sobre nós, e todas as aberraçãos contidas na tela terminam por conformar uma nova estética, um novo olhar, novos olhos que se abrem em nossa própria interioridade.

A Túnica de Nessus

...trata-se do mito da túnica de Nessus. Para que Héracles se
unisse a ela pelo amor e pelo desejo, Dejanira envia-lhe uma magnífica túnica que
tinha recebido de Nessus, embebida num filtro de amor; tratava-se, porém, dum
filtro de morte, de tal modo que Héracles sentiu o seu corpo envenenado e as veias
queimadas por uma chama inextinguível. O suicídio de Dejanira foi inútil. Somente o
pôde salvar a sua transfiguração sacrificial pelo fogo no monte Oeta onde, todavia,
sofreu a fulminação divina; através dela foi Héracles transportado para o Olimpo
onde desposou Hebe, a juventude eterna. [...] A mulher elementar que se evocou, absorveu e se fez entrar no íntimo, pode transformar-se no princípio duma sede mortal e inextinguível. Nesse caso, só o fulminar olímpico poderá reconduzir ao objetivo original, imortalizante da união.

Július Évola, A Metafísica do Sexo

Souberas...

Oh! Souberas quantas coisas dizem sobre o século vindouro, tiradas da Astrologia e dos nossos profetas! Afirmam que em cem anos a nossa época contém mais feitos memoráveis que o mundo inteiro em quatro mil; e que neste último século se editaram mais livros que nos cinqüenta anteriores. Falam também da maravilhosa invenção da imprensa, da pólvora e da bússola, coisas estas que constituem outros tantos indícios e instrumentos da reunião de todos os habitantes do mundo em um só redil. Expõem igualmente como tudo isso aconteceu enquanto tinham lugar grandes conjunções no triângulo de Câncer e no momento em que a ápiside de Mercúrio se adiantava a Escorpião, sob a influência da Lua e de Marte, com o seu poder para uma nova navegação, novos reinos e novas armas. Mas, quando a ápiside de Saturno entrar em Capricórnio, a de Mercúrio em Sagitário, e a de Marte em Virgo, depois das primeiras grandes conjunções e após o aparecimento de uma nova estrela em Cassiopéia, surgirá uma nova monarquia e reformar-se-ão as leis e as artes, ouvir-se-ão novos profetas. Texto de 1602, de CAMPANELLA, da obra UTOPIAS DO RENASCIMENTO, México: Ed. Fondo de Cultura Economica, 1941. P. 202, in SARAIVA, Antônio José. História da Cultura em Portugal, Lisboa: Jornal do Foro, 1955, Vol. II, p. 15/16.