Leio de tudo. Dos clássicos e acadêmicos até almanaques populares e bulas de remédio. Excluindo revistas em quadrinhos, devoro qualquer tipo de literatura, mesmo aquela vista como dejeto cultural. Certamente já li e escrevi muita coisa, traduzi outras tantas, e meus arquivos estão cheios de traças que vieram das alturas do Himalaia. Este blog, então, vai ser o canal de saberes fragmentados, oficiais e oficiosos, que os Mestres do Imaginário oferecem a nossa indiscrição.
Oração do Trabalho
Deusa mãe, fonte primordial,
Sagrada mulher ancestral.
Ergue teus véus
E revela-me teus segredos
Da parte és o todo
Do todo és a parte
Concede-me a Força
Recria-me na Beleza
Alimenta-me de Sabedoria
Faz de mim o filho da tua luz
Desbasta e depois
Esculpe a minha pedra
Até que ela possa refletir
Tua inapreensível perfeição
JEANNE DES ANGES E A POSSESSÃO DEMONÍACA EM LOUDUN: Psicologia Coletiva e o contágio emocional no século XVII
O livro trata do julgamento de Urbain Grandier e do episódio de possessão demoníaca que teve lugar no convento das Ursulinas de Loudun, na França do século XVII. Esses eventos são explorados como exemplos da forma como a justiça institucionalizada pode servir como instrumento de poder, legitimando práticas que se distanciam da verdade ou da justiça em seu sentido mais puro. A autora fundamenta sua análise em uma ampla gama de fontes primárias e secundárias. Além de uma investigação histórica, o livro dialoga com questões contemporâneas ligadas à história social e à psicologia social, examinando como as sociedades definem e tratam conceitos de desvio e normalidade. A metodologia empregada combina a análise histórica com a teoria crítica da psicologia social, buscando revelar as estruturas subjacentes de poder que moldam processos sociais e investigar como as pessoas podem resistir e transformar essas estruturas. A própria história é assim tratada como um campo de disputa onde diferentes narrativas competem por hegemonia, enquanto a psicologia social ajuda a compreender como essas narrativas moldam percepções e comportamentos. A figura de Jeanne des Anges é particularmente destacada, revelando as complexas dinâmicas de gênero e poder na sociedade do século XVII. A análise mostra que, mesmo confinadas, as mulheres desempenhavam papéis ativos e influentes, capazes de manipular e subverter as estruturas de poder da época. Este livro convida o público acadêmico a refletir sobre a natureza do poder e da justiça, desafiando as narrativas oficiais e promovendo uma compreensão mais profunda dos mecanismos sociais que moldam a vida coletiva.
Disponível em: https://www.amazon.com.br/dp/B0DDK19V7V
Os Elfos
Imagine-se às margens do Báltico. Pense então na lenda que nos fala de um rei dos Elfos. Ele governa as ilhas de Stern, Moe e Rugen. Este majestoso soberano viaja em uma carruagem puxada por quatro garanhões negros, movendo-se pelo ar de uma ilha para outra. Seu deslocamento é tão impressionante que o relinchar de seus cavalos é visível, mergulhando o mar em uma escuridão total. O rei comanda um exército formidável composto pelos grandiosos carvalhos que salpicam a paisagem das ilhas. Durante o dia, esses soldados permanecem disfarçados sob a casca das árvores, mas à noite, eles se transformam, empunhando capacetes e espadas e marchando orgulhosamente à luz da lua. Em tempos de conflito, o rei os convoca para se juntar a ele, e aqueles que tentam invadir seu domínio enfrentam uma sorte terrível. A tradição dos elfos, tanto benevolentes quanto malévolos, é uma constante nas ficções da Edda. Snorri Sturluson descreve os elfos da luz, que foram imortalizados como os espíritos etéreos nas máscaras de Ben Johnson, como habitantes de Alf-Heim, os opaláceos celestiais. Por outro lado, os elfos escuros, conhecidos como elfos noturnos, vivem nas profundezas da terra. Os elfos da luz são imortais e não serão destruídos pelas chamas de Surtur, com seu destino final sendo o Vid-Blain, o céu mais alto dos abençoados. Já os elfos escuros são mortais e vulneráveis a todas as doenças, apesar de suas características. Na Islândia moderna, acredita-se que o povo élfico vive sob uma monarquia, ou pelo menos sob um vice-rei absoluto. Anualmente, este vice-rei viaja para a Noruega com uma delegação de pucks (elfos), para renovar seu juramento de lealdade ao soberano que reside na pátria mãe. Essa crença reflete a ideia de que os elfos, assim como os islandeses, formam uma colônia transplantada para a ilha.
Fonte: Dicionário Infernal
Imegem: A Rainha dos Elfos


