Magia

A magia, sendo uma ciência prática, requer conhecimentos teóricos preliminares, como todas as ciências práticas. Entretanto, há diferença entre um engenheiro mecânico, que passou por um curso universitário e um mecânico técnico ou leigo, que fez um curso rápido ou aprendeu na lida do dia a dia da oficina. Em muitos lugarejos, há leigos em magia que, de fato, produzem fenômenos curiosos e realizam curas, porque aprenderam a fazer estas coisas vendo como eram feitas pelos mais velhos, repetindo tradições cujo fundamento, geralmente, se perdeu. Esses "magos leigos" são os chamados feiticeiros...

TRATADO ELEMENTAR DE MAGIA PRÁTICA
Gerard Anaclet Vincent Encausse (1865-1916)
Papus - São Paulo: Ed. Pensamento, 1995.

Homens de Desejo

“Os profanos não vos lerão, quer sejais claro ou obscuro,
prolixo ou sintético. Somente os HOMENS DE DESEJO irão
ler os vossos escritos e aproveitarão vossa luz. Dai-lhes essa
luz tão pura e revelada quanto possível.”
Louis Claude de Saint-Martin

Esperança




Em nossa sede de existência e de autonomia individuais, entrincheiramo-nos na universal do Grande Ser do qual continuamos a fazer parte. Nós vivemos nele, mas não da vida que lhe é própria, pois nós nos contentamos com nossa vida estreita, limitada ao domínio de nossas sensações. Aquilo que estas últimas nos revelam é ínfimo em relação ao insondável desconhecido que nos envolve. Estamos mergulhados em uma noite profunda, mas, quando dirigimos nossos olhares em direção ao céu, vemos cintilarem AS ESTRELAS.
OW

As Sátiras contra a Igreja




Em que medida as reminiscências da Antiguidade puderam influir sobre o estado de alma dos construtores medievais? A questão é difícil de resolver; mas permanece certo que eles eram animados de um espírito singularmente crítico.
Primeiramente, do ponto de vista religioso, eles pretendiam não depender diretamente senão do Papa e, deste chefe, eles afirmavam o desrespeito mais flagrante à vista da hierarquia eclesiástica. Sua audácia muitas vezes manifestou-se por caricaturas que eles não temiam talhar da própria pedra das catedrais.
Um monge e uma religiosa representados na mais inconveniente das atitudes decoram a Igreja de São Sebaldo em Nuremberg, e esse assunto escabroso repete-se, entre outros, numa gárgula do Museu de Cluny em Paris.
Na galeria superior da Catedral de Strasbourg, uma procissão de animais é conduzida por um urso que carrega a cruz. Um lobo segurando um círio aceso aí precede a um porco e a um carneiro carregados de relíquias; todos esses quadrúpedes desfilam piedosamente, enquanto um asno aparece no altar, celebrando a missa.
Revestida de ornamentos sacerdotais, uma raposa prega em Bradenbourg diante de um bando de gansos.
Os exemplos dessa natureza abundam. Encontram-se, em particular, juízos finais às vezes muito subversivos no sentido em que, entre os condenados, figuram de modo corrente personagens trazendo coroas ou mitras. O próprio Papa, toucado da tiara e cercado de cardeais, foi entregue às chamas eternas no pórtico da Catedral de Berna.
Esses indícios levam a supor que a iniciação conferida secretamente aos membros das confraternidades de São João não se referia unicamente aos procedimentos materiais da arte de construir.
Certos escultores irônicos puderam, sem dúvida, ser inspirados por rivalidades que, em todos os tempos, opuseram as ordens monásticas ao clero secular; mas outros traduziram de modo manifesto o pensamento de um artista singularmente emancipado para a época.
Oswald Wirth

Do Objetivo da Iniciação

O objetivo real da iniciação não é somente a restauração do “estado edênico”, que é apenas uma etapa do caminho que deve levar bem mais longe, pois é além desta etapa que começa verdadeiramente a “via celeste”; esse objetivo é a conquista ativa dos estados verdadeiramente supra-humanos. Para exprimir as coisas de outro modo, diremos que o estado humano deve primeiro ser conduzido à plenitude de sua expansão, para realização das próprias possibilidades (e esta plenitude é que é preciso entender aqui como “estado edênico”). Mas, longe de ser o término, esta será apenas a base sobre a qual o ser se apoiará para “alcançar a estrela”, ou seja, elevar-se a estados superiores. Há, pois, dois períodos a distinguir na ascensão, sendo o primeiro apenas uma ascensão em relação à humanidade comum: a altura de uma montanha, qualquer que ela seja, é sempre nula em relação à distância que separa a Terra dos Céus; na realidade é antes uma extensão, pois é o completo desabrochar do estado humano. O desdobramento das possibilidades do ser total efetua-se, assim, primeiro no sentido de ampliar e, a seguir, naquele de exaltar, para nos servirmos aqui de termos tomados de empréstimo ao esoterismo islâmico. Acrescentemos ainda que a distinção dos dois períodos corresponde à divisão antiga entre “pequenos mistérios” e “grandes mistérios”.
René Guénon, L’ésotérisme de Dante, Gallimard, 1957, pp. 48-49

Julius Evola

O mundo moderno, se ele denunciou a “injustiça do regime de castas”, estigmatizou mais ainda as civilizações antigas que conheceram a escravidão, e tem considerado um mérito dos novos tempos o haver firmado o princípio da “dignidade humana”. Mas trata-se isso ainda de pura retórica. Esquece-se de que os europeus, eles mesmos, reintroduziram e mantiveram, até o século XIX nos territórios de ultramar, uma forma de escravidão freqüentemente odiosa que o mundo antigo jamais conheceu. O que é preciso ressaltar antes de tudo é que, se uma civilização praticou a escravidão em grande escala, esta foi a civilização moderna. Nenhuma civilização tradicional alguma vez viu massas tão numerosas condenadas a um trabalho obscuro, sem alma, automático, a uma escravidão que não teve por contrapartida a alta estatura e a realidade tangível de figuras de senhores e de dominadores, mas que se encontra dominada de um modo aparentemente anódino pela tirania do fator econômico e pelas estruturas absurdas de uma sociedade mais ou menos coletivizada. Fato é que a visão moderna da vida, em seu materialismo, retirou ao indivíduo toda possibilidade de introduzir em seu destino em elemento de transfiguração, de ver aí um signo e um símbolo, a escravidão de hoje sendo mais lúgubre e a mais desesperadora dentre todas aquelas que até agora foram conhecidas. Não é pois surpreendente que as forças obscuras da subversão mundial tenham encontrado as massas forças dóceis e obtusas adequadas à perseguição de seus objetivos. Lá onde elas já triunfaram, em imensos campos de trabalho, vê-se praticar metodicamente, satanicamente, a escravidão física e moral do homem em vista da coletivização e do desenraizamento de todos os valores da personalidade.

Julius Evola
Révolte contre le monde moderne
LES ÉDITIONS DE L'HOMME, Bruxelles, Belgique, p. 146-147.

Observação: Curioso ler o que Evola escreve. É outro autor que atualmente tem chamado minha atenção. É comparável a Guénon no que concerne à defesa daquilo que entende como Tradição. Sem dúvida alguma, além do público esotérico, sua obra possui conteúdo eminentemente político, daí suas reedições constantes no exterior. No Brasil seu trabalho é pouco conhecido, o que não é de lamentar, no entanto, à vista do radicalismo de algumas de suas posições, verdadeiramente deploráveis.

René Guénon

Ando lendo Guénon, talvez com outros olhos, porque só agora consegui descobrir em seus textos alguma coisa que sempre me escapou em leituras anteriores. Ele tem me surpreendido e encantado. Concordando ou não com as concepções que expõe, fato é que tenho dedicado bom tempo à leitura de seus livros. Quanto mais leio, mais me interesso pelo que diz e, especialmente, pela forma como diz o que diz.
Ele é exigente. Quero dizer com isso que não admite leitores distraídos, pois seus textos são complexos e bastante explicados, exigindo do leitor que se coloque ao menos em sintonia com o sentido exato das palavras que emprega num contexto explícito. Guénon fala para o que atuamente pode ser definido como um "público" todo seu. O mais interessante em sua obra é que não está atrás de prosélitos. É como se falasse para quem já compartilha de seu pensar, pensar este que reflete a profunda decepção do adepto frente à modernidade, ao individualismo, às mudanças sociais que emergem do que qualifica como uma idade das sombras. Guénon tem um vezo político, e não é de surpreender que sua obra tenha extrapolado o contexto de ordem iniciática.

Palavra Perdida

É sabido que, em quase todas as tradições, alude-se a alguma coisa perdida ou desaparecida que, sejam quais forem as formas com as quais se as simboliza, tem, no fundo, sempre o mesmo significado. Poder-se-ia mesmo dizer que os mesmos significados, já que, como em todo simbolismo, existem vários, ainda que de outra parte estritamente aparentados entre si. Na realidade, trata-se em todos os casos, de uma alusão ao obscurecimento espiritual que, em virtude das leis cíclicas, sobreveio no transcurso da história da humanidade. É, antes de tudo, a perda do estado primordial e também, por uma conseqüência imediata, a perda da tradição correspondente, pois dita tradição não era senão que o próprio conhecimento essencialmente implícito na posse desse estado.
René Guénon. PALAVRA PERDIDA E NOMES SUBSTITUTIVOS
Artigo publicado originalmente na revista Études Traditionnelles, julho a dezembro de 1948. Posteriormente em Études sur la Franc-Maçonnerie et le Compagnonnage, tomo II, París, Ed. Traditionnelles, 1956.

Arcano IV



O IMPERADOR é, com efeito, o PRÍNCIPE DESSE MUNDO; ele reina sobre o concreto, sobre aquilo que está corporificado, de onde o contraste entre seu império inferior, logo, INFERNAL, no sentido etimológico da palavra, e o domínio celeste da IMPERATRIZ, exercendo-se diretamente sobre as almas e os puros espíritos. Em oposição, os corpos permanecem submissos ao IMPERADOR que os anima e os governa após havê-los construído. Ele corresponde ao Demiurgo dos platônicos e ao Grande Arquiteto dos Franco-Maçons. Os seres se organizam e se desenvolvem sob seu impulso: ele é seu deus interior, princípio de fixidez, de crescimento e de ação. É o espírito individual, manifestação objetiva do Espírito Universal, UM em sua essência criadora, mas repartido entre a multiplicidade das criaturas.

O. W.

Contituição de Anderson

Não há maçom que não tenha ouvido falar na Constituição de Anderson, e não acredito que exista alguém que não reconheça o encanto de sua linguagem, como expressão de um ideal. Documento verdadeiramente digno de nota, vale uma leitura. Está no meu Scribd a partir de hoje.
James Anderson nasceu em Aberdeen, (Escócia), por volta de 1680. Estudou teologia em sua cidade natal, no "Marischal College", onde se tornou "Doutor em Teologia". Era presbiteriano, a religião então dominante na Escócia. Antes de 1710 vai residir em Londres, onde mais tarde adquire direitos de vicariato de uma Capela Presbiteriana onde pregou até 1735, tornando-se muito conhecido entre os londrinos pelas pregações, muitas delas publicadas em folhetos. Anderson sofreu perdas econômicas e estava pobre em 1720, tendo de recorrer aos seus Irmãos Maçons para quitar suas dívidas. Sua obra mais importante de ficou conhecida como "Constituição Maçônica de Anderson", que publicou às suas expensas no ano de 1723, época em que era Venerável da Loja nº 17. Consta que nunca se soube em qual Loja Anderson foi iniciado. É provável que ainda tenha sido na Escócia, pois já era maçom quando se filiou a uma Loja londrina. Na reunião da Grande Loja de 29 de setembro de 1721, onde 16 Lojas estiveram representadas, Anderson foi encarregado de estudar as cópias das antigas constituições góticas, consideradas falhas, e fundi-las em Carta Magna mais concisa e clara. Em 17 de janeiro de 1723 a Grande Loja aprovou a Constituição já impressa, nomeando Anderson Grande Vigilante. Em 1723 o nome Anderson também consta dos registros da Loja: "Horne Tavern", de Westiminster e em 1725 no da "Lodge of Salomon's Temple" de Hemmings Row. Morre em 1º de junho de 1739. Dele se diz que “desapareceu assim o Maçom que mais serviços prestou à Ordem, que em vida nunca mereceu o menor apoio, prestígio e agradecimento, e que pelo contrário foi atrozmente combatido, mas que acabou sendo o único, cujo nome nunca foi e nem será esquecido”.

Graus de Perfeição

GRAU 4 – MESTRE SECRETO
GRAU 5 – MESTRE PERFEITO
GRAU 6 – SECRETÁRIO ÍNTIMO
GRAU 7 – PREBOSTE OU JUIZ
GRAU 8 – INTENDENTE DOS EDIFÍCIOS
GRAU 9 – CAVALEIRO ELEITO DOS NOVE
GRAU 10 – CAVALEIRO ELEITO DOS 15
GRAU 11 – SUBLIME CAVALEIRO ELEITO ou CAVALEIRO ELEITO DOS 12
GRAU 12 – GRÃO-MESTRE ARQUITETO
GRAU 13 – CAVALEIRO DO REAL ARCO
GRAU 14 – GRANDE ELEITO ou PERFEITO E SUBLIME MAÇOM

Os Três Vezes Poderosos Mestres que conheço me entendem, e até levam na brincadeira quando digo que o Presidente de uma Loja de Perfeição sempre é gaúcho, porque é tri. Bem, seja como for, não há muito material disponível. Ao contrário do que ocorre com a Maçonaria simbólica, quando se trata da continuidade do aprendizado no REAA, o material se torna escasso e a pesquisa mais difícil. Quem acompanha o blog viu que neste último final de semana disponibilizei quatro arquivos que vão do 1º ao 14° grau do REAA. Três módulos para Lojas Simbólicas e um para Perfeição. É parte de um material que foi compilado por mim ao longo de alguns anos e que serviu para alguma coisa, sim. Agora parte dele está aqui nos Mestres do Imaginário, nessa série que chamei "SOIS?", disponível logo abaixo.
Ah! Um detalhe. É claro que é bonito pensar em termos de alcançar o grau 33. Mas, sabidamente, toda Maçonaria poderia estar completa se fosse possível aos iniciados alcançar o conteúdo dos Graus Simbólicos e, dentre estes, meramente a riqueza simbólica do Grau de Aprendiz.