SUSPEITOS



Quem são eles? Serão assassinos?
Serão facínoras? Serão os monstros
Que atacaram Hiram?
São suspeitos, murmuram as paredes,
Suspeitos de ódio,
Suspeitos de inveja,
Suspeitos de fraude.
Violência! Vingança!
Hiram é morto. Quem o matou?
Não sabemos, mas foram Companheiros,
E tudo fizemos, com muito engenho,
Para os  encontrar.
Sabemos?  Não. Suspeitamos.
Sois Companheiros? Sois suspeitos,
Sois vós os ingratos, desnorteados ambiciosos,
A corda vos traz cativos das próprias consciências,
Amordaçados ao remorso.
Suspeitos — murmuram as águas.
Suspeitos — sussurram as paredes
Suspeitos — murmuram todos
Onde a régua que calou o Mestre
Pela garganta atingido ao Sul?
Onde o esquadro que lhe feriu o peito
Visando ao coração?
Onde o malho certeiro em seu crânio
Que o prostrou ao Ocidente?
De tão aviltante vilania pervertestes seus sagrados Instrumentos.
Com régua, Esquadro, e Malho,
Fostes construtores de um Templo à infâmia.
Insanos sois vós.
Sois todos vós.
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Mas eis que surgem três.
E a sombra da suspeita, agora,
Se apõe sobre apenas três,
E nosso Soberano haverá de saber,
E não mais supeitar;
Haverá de os fazer atar, prender e castigar.
E serão nove,
E depois mais mais seis,
Serão três vezes três,
E mais duas vezes três,
Serão Nove,
E ao depois serão Quinze,
Eleitos dos Quinze
Que vão resgatar
Da suspeita
 Os Companheiros,
Nossos Irmãos
Nossos Obreiros
Que conosco
Se hão de vingar
Tirando de sobre si
O peso do Sangue
O peso da Morte
Do acaso
E do Destino.
Serão Eles,
Os Quinze,
Que hão de resgatar
Da Suspeita
Os Companheiros,
Do Templo,
O Altar.

Inventar Verdades


Nós inventamos a verdade para utilizar a realidade, como nós criamos dispositivos mecânicos para utilizar as forças da natureza. Poder-se-ia, parece-me, resumir todo o essencial da concepção pragmatista da verdade em uma fórmula tal como esta: enquanto para as outras doutrinas uma verdade nova é uma descoberta, para o pragmatismo ela é uma invenção. Bergson


YEHUDAH


Em hebraico transliterado YEHUDAH – progênie da divindade.  Os rituais franceses traduzem a palavra como ‘louvor’, mas nada há que o justifique, no entender de Aslan.  Todavia, não é assim.  Encontramos dicionários bíblicos que aceitam a tradução questionada.

XII


O Pendurado, Arcano XII do Tarô. A silhueta desse personagem desenha o símbolo da Realização da Grande Obra, um triângulo invertido sobre o qual aparece uma cruz. O Pendurado é, nisso, o inverso do Imperador, Arcano IV, que corresponde ao Enxofre, um triângulo sobre uma cruz. Suspenso por um dos pés, de cabeça para baixo e com as mãos atadas, este estranho supliciado parece ser a própria imagem da impotência. É, todavia, o sonhador ao qual pertence o amanhã. Se está sem ação no presente, suas ideias geniais não são menos fecundas. Estas idéias lhe escapam sob a forma de moedas de ouro e prata que o Pendurado semeia. OW

Fauna do Imaginário


Com a bipolaridade tão em alta ultimamente, por que não imaginar uma tartaruga de Agartha ou de Shamaballa? Nada é mais concreto e real que as coisas que existem em nossa imaginação. Ela alavanca, concretiza e, sobretudo, cria a nós mesmos, não digo em espírito e verdade, que isso seria redundante e estático, mas constantemente, a cada instante, renovando sempre aquilo que está sempre sob o risco de se tornar mesmice e, logo depois, perder-se dentre tantas sucatas e descartes.