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Leio de tudo. Dos clássicos e acadêmicos até almanaques populares e bulas de remédio. Excluindo revistas em quadrinhos, devoro qualquer tipo de literatura, mesmo aquela vista como dejeto cultural. Certamente já li e escrevi muita coisa, traduzi outras tantas, e meus arquivos estão cheios de traças que vieram das alturas do Himalaia. Este blog, então, vai ser o canal de saberes fragmentados, oficiais e oficiosos, que os Mestres do Imaginário oferecem a nossa indiscrição.
Inquisição
Historicamente falando
"Historicamente falando, o cristianismo é uma religião de reino, o islã, uma religião de conquista, o judaísmo uma religião de sobrevivência. O cristianismo apresenta, além disso, a particularidade de fundar-se sobre o postulado da existência de um homem (Jesus) do qual nada sabemos. (O valor histórico dos evangelhos canônicos é nulo, seu valor literário ainda mais nulo, enquanto seu valor espiritual é medíocre)."
BENOIST, Alain.
BENOIST, Alain.
Passado
O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as
sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento;
passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.
Fernando Pessoa
Memória
Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória.
José Saramago
José Saramago
A ideologia do complô
A ideologia do complô é o ópio
dos vencidos. Os vencidos da História explicam porque eles perderam, como a
"Ordem Natural" foi substituída pelo domínio do mal. É uma ideologia
do ressentimento. É igualmente por onde os perdedores compensam sua amargura:
eles são, apesar de tudo, "iniciados"; eles sabem. A formação de uma
contra-conspiração de iniciados valoriza-os. Valorização ilusória, que em nada
altera a situação, mas que lhes põe um bálsamo nos corações. Que as nostalgias
do stalinismo denunciem complôs da Nova Direita, isso não reerguerá o Muro de
Berlim nem apagará as catástrofes e os massacres engendrados pelo
"socialismo real”.
A ideologia do complô é a recusa
do trágico, o sonho de um mundo definitivamente pacificado, de uma "solução
final" para o problema da História. À figura transcendente do Mal,
essência atemporal da qual os maçons, os judeus e os feiticeiros são apenas os
reflexos contingentes, deve se opor aquela não menos transcendente do Bem. O
Bem será o retorno à Ordem, à Moral, à Igualdade. Esta escatologia que não tem
nenhum nome deve se impor (não é uma questão de livre escolha), sem ser muito
mesquinha quanto aos meios, quer se tratem de fogueiras ou de campos de
concentração. O Mal age na sombra, de modo desleal; o Bem têm, pois, todos os
direitos: "Não há liberdade para os inimigos da Liberdade". Não se
combate o inimigo, se o extermina. Se todo conflito é moral, então é preciso
atacar definitivamente os escudeiros de Satã, aqueles que se opõem ao desdobramento
da ordem natural como um fim da História e triunfo do Bem. O Mal deve ser
eliminado para dar lugar ao Bem (o Reich de Mil Anos, a sociedade comunista, a
Nova Ordem Mundial). Trata-se simplesmente de legitimar um contra-complô
autoritário.
A ideologia do complô repousa, no
Ocidente, sobre uma visão de mundo bastante precisa, aquela veiculada por um
cristianismo esquecido de sua herança europeia, pagã e plurivocal, e fascinada
pela tentação de uma transcendência absoluta, encarnada por um deus único, todo
poderoso e colocado fora do mundo. Nesta visão, como na caverna de Platão, o
mundo não tem consistência. Ele é apenas o teatro do enfrentamento do Bem e do
Mal. A partir daí não se trata de abrir-se para o mundo, de compreendê-lo. É
preciso, ao contrário, descobrir o segredo escondido que é dado à priori. Não
se procura nunca aquilo que já se sabe. É preciso encontrar as pistas, os
vestígios do complô. Trata-se bem de uma visão policialesca e moral do mundo,
onde o pensamento é de fato abolido, onde os culpados são apontados de antemão.
Trata-se apenas de desmascará-los. Atrás do mundo, é preciso desenterrar o além-mundo, onde está a verdade. A
vida é apenas uma busca, uma escuta, uma surpresa. O esquecimento do Ser dá
lugar aos alucinados dos além-mundo.
A ideologia do complô é o degrau zero da inteligência.
CARLIER, Michel. " La
théorie du complot", Points de vue, n° 11, 1994.
Nota: O além-mundo, de Nietzsche: "Um dia Zaratustra arremessou sua ilusão para adiante dos homens, semelhante a todos os alucinados do além-mundo", ou seja, os filósofos idealistas que ele desejava criticar para reafirmar o mundo sensível.
Nota: O além-mundo, de Nietzsche: "Um dia Zaratustra arremessou sua ilusão para adiante dos homens, semelhante a todos os alucinados do além-mundo", ou seja, os filósofos idealistas que ele desejava criticar para reafirmar o mundo sensível.
Natal
O Natal, assim como o concebemos, decorre de uma adaptação da nova religião que surgia, — o Cristianismo —, aos antigos festejos celebrados pelos povos bárbaros à vista do solstício do inverno. Outras comemorações cristãs têm origem semelhante.
Nove meses antes do Natal, a Anunciação de Maria coincide com comemorações feitas em honra à deusa frígia Cibele, identificada com a Natureza. O nascimento de Cristo foi fixado em 25 de dezembro não por acaso de forma a se sobrepor daí por diante (ano I) ao rito que festejava então os 754 anos da fundação de Roma.
É a História a serviço da Revelação.
Vozes de Joana
Aqueles de minha parte sabem bem que a "Voz" me foi enviado por Deus, eles viram e conhecem esta voz. Até o meu rei e muitos outros têm ouvido e visto as vozes que vêm a mim ... eu vi São Miguel com olhos do meu corpo, como eu vejo a vós.
Joana D'Arc
Joana D'Arc
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