Leio de tudo. Dos clássicos e acadêmicos até almanaques populares e bulas de remédio. Excluindo revistas em quadrinhos, devoro qualquer tipo de literatura, mesmo aquela vista como dejeto cultural. Certamente já li e escrevi muita coisa, traduzi outras tantas, e meus arquivos estão cheios de traças que vieram das alturas do Himalaia. Este blog, então, vai ser o canal de saberes fragmentados, oficiais e oficiosos, que os Mestres do Imaginário oferecem a nossa indiscrição.
Amareto das Lágrimas de Cristal
Amoreto da Doce Alegria
Amoreto Azul & Ouro
Amoreto Azul & Ouro,
Amareto Púrpura
Amareto Púrpura,
Amoreto Lilás
Amoreto Lilás,
Amuletos, Amaretos, Amoretos
Os saquinhos, feitos à mão por mim, eram bordados, muito enfeitados, variados na forma, na cor, nos enfeites. Cada um do seu jeito, porque sempre únicos, quanto mais que o material usado para fazê-los é o reciclo do reciclado. Pedacinhos de roupas, de lenços, retalhos, bijuterias desmontadas. Nascem do reaproveitamento dos mais variados objetos. Depois resolvi eu mesma fechar os saquinhos com algo dentro deles. Algo escolhido por mim: pedras achadas na rua, nos caminhos, onde for. A maioria tem três objetos. Podem ser as pedras, e também conchas achadas nas praias, assim como sementes de frutos, e também contas de vidro, dessas do tamanho de uma bala, lisas, brilhantes.
Uma brincadeira. Costuro essas pequenas inutilidades e as
coloco em um cestinho. Os amigos olham, gostam e levam de presente. Fotografei
alguns, para lembrar-me de como eram. Depois pensei que ali dentro talvez coubesse
um poema. Mas não um poema literário. Apenas versos, — versinhos — tipo
feitiço, benção, presságio, pragas do bem, do mal... Quem sabe? Sei que passa
longe da literatura. Olhava os saquinhos e criava versos.
Depois, conversando com uma amiga querida, falei dessas
rimas e mandei para ela um áudio que, por acaso, era justamente sobre um saquinho
— um amareto ou amoreto, como os batizei — que estava com ela. Surgiu depois a
ideia de conferir aos amoretos uma dimensão audiovisual e, assim, os Mestres do Imaginário
passaram a exibir esses vídeos. Alegres brincadeiras que vão assim andar pelo
mundo, rumando por aí.
Amoretos, Amaretos, singulares particularidades. Reciclagem
de inservíveis. Ditos e não ditos, para crentes e descrentes, para os almados e para os desalmados também.
Amoretos Amaretos
Amuletos, amoretos
Violenta violeta,
Paixão tentação!
Alma perdida
Dizendo que não.
No corpo desejo,
Na alma pecado,
Da areia o deserto,
De deus o perdão.
Amuletos, amoretos
Amarelo, singelo elo!
Seda bordado,
dourados e mais!
Concha guardada te guarda,
Água salgada te aguarda:
Da saudade te livrará,
Da tristeza te lavará.
Amarelo, singelo elo!
Seda e bordado,
dourados e mais!
Tu brilharás!
Amuletos, Amoretos
Magia, magia, brilho brilhante,
Vermelho que tinge,
Preto que mancha.
Sejam as flores a alma das cores,
Sejam as cores almas amores.
Feitiço, feitiço:
Um laço,
Mil flores.




