Amareto das Lágrimas de Cristal


 Amareto, amareto,
Das contas azuis!
Transforma essas lágrimas 
Em lindos cristais!
Transmuta a tristeza,
Em sua profundeza,
Abre caminhos, 
Encerra pendências,
Salva aparências,
Abre portais!

Amoreto da Doce Alegria


 Amoreto, amoreto,
da Doce Alegria,
Tu contagias risos e cores,
Espalhas sorrisos, 
propagas amores!
Doce alegria,
Amáveis saudades.
No fecho, os segredos;
No laço, os abraços.

Amoreto Azul & Ouro



 

Amoreto Azul & Ouro,
Tens o encanto de um tesouro.
Na beleza das tuas águas,
Guardas promessas, mil cores.
 Amoreto Azul & Ouro,
Tens o encanto de um tesouro,
E a certeza do amor vindouro.

Amareto Púrpura




 Amareto Púrpura,
Bordados, correntes,
Tens a beleza
Do que é prudente.

Amareto Púrpura,
Bordados, correntes,
Feridas tu curas
e dores depuras,
Teu laço é corrente
Tua ação, contundente!

Amoreto Lilás




Amoreto Lilás,
Teu roxo é fugaz,
Tens laços, fuxicos,
E a sorte verás.

Amoreto Lilás,
Teu roxo é fugaz,
Espantas as mágoas
De amor és capaz.

Amoreto Lilás,
Teu roxo é fugaz,
Trazes contigo 
A magia da paz.

Amuletos, Amaretos, Amoretos



Trocadilhos à parte, tudo o que sei é que descobri que amo criar essas pequenas inutilidades. A coisa começou quando inventei de dar de presente, para quem comigo “consultasse” o Tarô, um pequeno saquinho, dentro do qual ia de presente uma pedra sorteada pela própria pessoa.

Os saquinhos, feitos à mão por mim, eram bordados, muito enfeitados, variados na forma, na cor, nos enfeites. Cada um do seu jeito, porque sempre únicos, quanto mais que o material usado para fazê-los é o reciclo do reciclado. Pedacinhos de roupas, de lenços, retalhos, bijuterias desmontadas. Nascem do reaproveitamento dos mais variados objetos. Depois resolvi eu mesma fechar os saquinhos com algo dentro deles. Algo escolhido por mim: pedras achadas na rua, nos caminhos, onde for. A maioria tem três objetos. Podem ser as pedras, e também conchas achadas nas praias, assim como sementes de frutos, e também contas de vidro, dessas do tamanho de uma bala, lisas, brilhantes.


Uma brincadeira. Costuro essas pequenas inutilidades e as coloco em um cestinho. Os amigos olham, gostam e levam de presente. Fotografei alguns, para lembrar-me de como eram. Depois pensei que ali dentro talvez coubesse um poema. Mas não um poema literário. Apenas versos, — versinhos — tipo feitiço, benção, presságio, pragas do bem, do mal... Quem sabe? Sei que passa longe da literatura. Olhava os saquinhos e criava versos.

Depois, conversando com uma amiga querida, falei dessas rimas e mandei para ela um áudio que, por acaso, era justamente sobre um saquinho — um amareto ou amoreto, como os batizei — que estava com ela. Surgiu depois a ideia de conferir aos amoretos uma dimensão audiovisual e, assim, os Mestres do Imaginário passaram a exibir esses vídeos. Alegres brincadeiras que vão assim andar pelo mundo, rumando por aí.

Amoretos, Amaretos, singulares particularidades. Reciclagem de inservíveis. Ditos e não ditos, para crentes e descrentes, para os almados e para os desalmados também.

Amoretos Amaretos


Amoretos, amaretos,
Doçuras da vida,
Encantos da sorte,
Desfazem tristezas,
Assustam a morte.
Amoretos, amaretos, 
São bênçãos,
São pragas,
Intensos desejos,
Amargos presságios.
Amoretos, amaretos,
Que sabem a rosas,
Que acalmam as mentes
Com pedras, com vidros,
com brilhos, conchas, sementes.
 

Amuletos, amoretos


Violenta violeta,

Paixão tentação!

Alma perdida

Dizendo que não.

No corpo desejo,

Na alma pecado,

Da areia o deserto,

De deus o perdão.



Amuletos, amoretos


 Amarelo, singelo elo!

Seda bordado, 

dourados e mais!

Concha guardada te guarda,

Água salgada te aguarda:

Da saudade te livrará,

Da tristeza te lavará.

Amarelo, singelo elo!

Seda e bordado, 

dourados e mais!

Tu brilharás!

Amuletos, Amoretos


 Magia, magia, brilho brilhante,

Vermelho que tinge,

Preto que mancha.

Sejam as flores a alma das cores,

Sejam as cores almas amores.

Feitiço, feitiço:

Um laço,

Mil flores.