Perfeição

 "A perfeição não está na natureza das coisas: é um ideal em cuja direção se inclinam os seres e as instituições, mas que ninguém consegue alcançar."

Oswald Wirth

As Instituições Primitivas

Se fizermos abstração da família, que é anterior a toda formação social propriamente dita, qual é a associação permanente mais antiga à qual podemos remontar? Apoiados na etnografia, os sociólogos respondem que é o agrupamento de homens adultos em sociedade secreta. Os indivíduos encarregados dos interesses coletivos da tribo são naturalmente levados a se reunirem para deliberar e para tomar resoluções comuns. Eles devem, para tal finalidade, se reunir estritamente entre eles, longe das mulheres, das crianças e dos estrangeiros. O acesso a seu lugar de reunião é, consequentemente, proibido a pessoas não qualificadas para participar da assembleia. Esta última facilmente adquire um caráter sagrado, da mesma forma que o recinto que lhe é reservado. Tal é a origem do Templo, do qual os profanos (de pro fanum, diante do Templo) são excluídos.

Para ser admitido nesse lugar assustador, cuja aproximação indiscreta atrai infelicidade, as condições variam. Às vezes o adolescente é acolhido, pelo próprio fato de que ele atinge sua maioridade, mas ocorre também que provas de resistência física lhes sejam impostas, ou que ele deva dar provas de uma suficiente maturidade intelectual.

Mas fato é que, aos olhos dos primitivos, nenhum ato poderia ser mais importante na vida que a admissão de um jovem na assembleia dos homens feitos. Cerimônias, festas e celebrações se realizam, ainda em nossos dias, entre os selvagens que permanecem em estado natural.

Todavia, nesse ponto, em geral, não é somente a solenidade que eles gostam de celebrar com pompa. O costume de realização de festas anuais em honra da juventude que alcança a puberdade é quase universalmente difundido. A Primeira Comunhão dos cristãos remonta assim, em seu princípio, a ritos de extrema antiguidade. Acontece o mesmo com a imensa maioria das práticas religiosas de diferentes cultos que têm suas raízes na contrafação de feiticeiros pré-históricos.

Esses, aliás, não devem ser desprezados. Não eram eles escolhidos entre os velhos mais experientes, que deram prova de sabedoria, de prudência e de sutileza no interior da assembleia dos homens feitos? Muito fracos de corpo para participarem das expedições guerreiras, esses velhos, nos quais o espírito permanecia vigoroso, seguramente aí tiveram uma ascendência por vezes muito extensa. Foi esse o caso dos druidas e outros sacerdotes semelhantes. Observemos, a esse respeito, que padre vem de presbítero, cuja raiz é uma palavra grega que significa velho.

Oswald Wirth


Fonte: WIRTH, Oswald. LaFranc-Maçonnerie rendue intelligible àses adeptes. Le Maître. Paris: Dervy, 2003. 

Igne Natura Renovatur Integra


 

Amoreto do Tesouro


 Amoreto do Tesouro,
Fios de ouro, Puro Ouro!
Trasmuta esse chumbo,
Afoga essas dores,
Carrega essas águas,
Enterra na Terra,
Com sopro dos ventos,
Provoca os amores!

Amareto das Lágrimas de Cristal


 Amareto, amareto,
Das contas azuis!
Transforma essas lágrimas 
Em lindos cristais!
Transmuta a tristeza,
Em sua profundeza,
Abre caminhos, 
Encerra pendências,
Salva aparências,
Abre portais!

Amoreto da Doce Alegria


 Amoreto, amoreto,
da Doce Alegria,
Tu contagias risos e cores,
Espalhas sorrisos, 
propagas amores!
Doce alegria,
Amáveis saudades.
No fecho, os segredos;
No laço, os abraços.

Amoreto Azul & Ouro



 

Amoreto Azul & Ouro,
Tens o encanto de um tesouro.
Na beleza das tuas águas,
Guardas promessas, mil cores.
 Amoreto Azul & Ouro,
Tens o encanto de um tesouro,
E a certeza do amor vindouro.

Amareto Púrpura




 Amareto Púrpura,
Bordados, correntes,
Tens a beleza
Do que é prudente.

Amareto Púrpura,
Bordados, correntes,
Feridas tu curas
e dores depuras,
Teu laço é corrente
Tua ação, contundente!

Amoreto Lilás




Amoreto Lilás,
Teu roxo é fugaz,
Tens laços, fuxicos,
E a sorte verás.

Amoreto Lilás,
Teu roxo é fugaz,
Espantas as mágoas
De amor és capaz.

Amoreto Lilás,
Teu roxo é fugaz,
Trazes contigo 
A magia da paz.

Amuletos, Amaretos, Amoretos



Trocadilhos à parte, tudo o que sei é que descobri que amo criar essas pequenas inutilidades. A coisa começou quando inventei de dar de presente, para quem comigo “consultasse” o Tarô, um pequeno saquinho, dentro do qual ia de presente uma pedra sorteada pela própria pessoa.

Os saquinhos, feitos à mão por mim, eram bordados, muito enfeitados, variados na forma, na cor, nos enfeites. Cada um do seu jeito, porque sempre únicos, quanto mais que o material usado para fazê-los é o reciclo do reciclado. Pedacinhos de roupas, de lenços, retalhos, bijuterias desmontadas. Nascem do reaproveitamento dos mais variados objetos. Depois resolvi eu mesma fechar os saquinhos com algo dentro deles. Algo escolhido por mim: pedras achadas na rua, nos caminhos, onde for. A maioria tem três objetos. Podem ser as pedras, e também conchas achadas nas praias, assim como sementes de frutos, e também contas de vidro, dessas do tamanho de uma bala, lisas, brilhantes.


Uma brincadeira. Costuro essas pequenas inutilidades e as coloco em um cestinho. Os amigos olham, gostam e levam de presente. Fotografei alguns, para lembrar-me de como eram. Depois pensei que ali dentro talvez coubesse um poema. Mas não um poema literário. Apenas versos, — versinhos — tipo feitiço, benção, presságio, pragas do bem, do mal... Quem sabe? Sei que passa longe da literatura. Olhava os saquinhos e criava versos.

Depois, conversando com uma amiga querida, falei dessas rimas e mandei para ela um áudio que, por acaso, era justamente sobre um saquinho — um amareto ou amoreto, como os batizei — que estava com ela. Surgiu depois a ideia de conferir aos amoretos uma dimensão audiovisual e, assim, os Mestres do Imaginário passaram a exibir esses vídeos. Alegres brincadeiras que vão assim andar pelo mundo, rumando por aí.

Amoretos, Amaretos, singulares particularidades. Reciclagem de inservíveis. Ditos e não ditos, para crentes e descrentes, para os almados e para os desalmados também.

Amoretos Amaretos


Amoretos, amaretos,
Doçuras da vida,
Encantos da sorte,
Desfazem tristezas,
Assustam a morte.
Amoretos, amaretos, 
São bênçãos,
São pragas,
Intensos desejos,
Amargos presságios.
Amoretos, amaretos,
Que sabem a rosas,
Que acalmam as mentes
Com pedras, com vidros,
com brilhos, conchas, sementes.