"A perfeição não está na natureza das coisas: é um ideal em cuja direção se inclinam os seres e as instituições, mas que ninguém consegue alcançar."
Oswald Wirth
Leio de tudo. Dos clássicos e acadêmicos até almanaques populares e bulas de remédio. Excluindo revistas em quadrinhos, devoro qualquer tipo de literatura, mesmo aquela vista como dejeto cultural. Certamente já li e escrevi muita coisa, traduzi outras tantas, e meus arquivos estão cheios de traças que vieram das alturas do Himalaia. Este blog, então, vai ser o canal de saberes fragmentados, oficiais e oficiosos, que os Mestres do Imaginário oferecem a nossa indiscrição.
"A perfeição não está na natureza das coisas: é um ideal em cuja direção se inclinam os seres e as instituições, mas que ninguém consegue alcançar."
Oswald Wirth
Se fizermos abstração da família, que é anterior a toda formação social propriamente dita, qual é a associação permanente mais antiga à qual podemos remontar? Apoiados na etnografia, os sociólogos respondem que é o agrupamento de homens adultos em sociedade secreta. Os indivíduos encarregados dos interesses coletivos da tribo são naturalmente levados a se reunirem para deliberar e para tomar resoluções comuns. Eles devem, para tal finalidade, se reunir estritamente entre eles, longe das mulheres, das crianças e dos estrangeiros. O acesso a seu lugar de reunião é, consequentemente, proibido a pessoas não qualificadas para participar da assembleia. Esta última facilmente adquire um caráter sagrado, da mesma forma que o recinto que lhe é reservado. Tal é a origem do Templo, do qual os profanos (de pro fanum, diante do Templo) são excluídos.
Para ser admitido nesse lugar assustador, cuja aproximação indiscreta atrai infelicidade, as condições variam. Às vezes o adolescente é acolhido, pelo próprio fato de que ele atinge sua maioridade, mas ocorre também que provas de resistência física lhes sejam impostas, ou que ele deva dar provas de uma suficiente maturidade intelectual.
Mas fato é que, aos olhos dos primitivos, nenhum ato poderia ser mais importante na vida que a admissão de um jovem na assembleia dos homens feitos. Cerimônias, festas e celebrações se realizam, ainda em nossos dias, entre os selvagens que permanecem em estado natural.
Todavia, nesse ponto, em geral, não é somente a solenidade que eles gostam de celebrar com pompa. O costume de realização de festas anuais em honra da juventude que alcança a puberdade é quase universalmente difundido. A Primeira Comunhão dos cristãos remonta assim, em seu princípio, a ritos de extrema antiguidade. Acontece o mesmo com a imensa maioria das práticas religiosas de diferentes cultos que têm suas raízes na contrafação de feiticeiros pré-históricos.
Esses, aliás, não devem ser desprezados. Não eram eles escolhidos entre os velhos mais experientes, que deram prova de sabedoria, de prudência e de sutileza no interior da assembleia dos homens feitos? Muito fracos de corpo para participarem das expedições guerreiras, esses velhos, nos quais o espírito permanecia vigoroso, seguramente aí tiveram uma ascendência por vezes muito extensa. Foi esse o caso dos druidas e outros sacerdotes semelhantes. Observemos, a esse respeito, que padre vem de presbítero, cuja raiz é uma palavra grega que significa velho.
Oswald Wirth
Fonte: WIRTH, Oswald. LaFranc-Maçonnerie rendue intelligible àses adeptes. Le Maître. Paris: Dervy, 2003.
Os saquinhos, feitos à mão por mim, eram bordados, muito enfeitados, variados na forma, na cor, nos enfeites. Cada um do seu jeito, porque sempre únicos, quanto mais que o material usado para fazê-los é o reciclo do reciclado. Pedacinhos de roupas, de lenços, retalhos, bijuterias desmontadas. Nascem do reaproveitamento dos mais variados objetos. Depois resolvi eu mesma fechar os saquinhos com algo dentro deles. Algo escolhido por mim: pedras achadas na rua, nos caminhos, onde for. A maioria tem três objetos. Podem ser as pedras, e também conchas achadas nas praias, assim como sementes de frutos, e também contas de vidro, dessas do tamanho de uma bala, lisas, brilhantes.
Uma brincadeira. Costuro essas pequenas inutilidades e as
coloco em um cestinho. Os amigos olham, gostam e levam de presente. Fotografei
alguns, para lembrar-me de como eram. Depois pensei que ali dentro talvez coubesse
um poema. Mas não um poema literário. Apenas versos, — versinhos — tipo
feitiço, benção, presságio, pragas do bem, do mal... Quem sabe? Sei que passa
longe da literatura. Olhava os saquinhos e criava versos.
Depois, conversando com uma amiga querida, falei dessas
rimas e mandei para ela um áudio que, por acaso, era justamente sobre um saquinho
— um amareto ou amoreto, como os batizei — que estava com ela. Surgiu depois a
ideia de conferir aos amoretos uma dimensão audiovisual e, assim, os Mestres do Imaginário
passaram a exibir esses vídeos. Alegres brincadeiras que vão assim andar pelo
mundo, rumando por aí.
Amoretos, Amaretos, singulares particularidades. Reciclagem
de inservíveis. Ditos e não ditos, para crentes e descrentes, para os almados e para os desalmados também.