Preboste ou Juiz

À equidade severa que devemos empregar em nossas ações.

Juízes e oficiais porás em tuas cidades que o Senhor teu Deus te deu, segundo as tuas tribos, para que julguem o povo com justiça. Não torcerás o juízo; não farás acepção de pessoas, nem receberás peitas; porque a peita cega os olhos dos sábios, e perverte a causa dos justos. A justiça, somente a justiça, seguirás, para que vivas e possuas em herança a terra que o Senhor, teu Deus, te dá.
Deuteronômio XV, 18-20

HISTÓRICO

Também se insere o 7º grau na categoria dos bíblicos ou israelitas. Consagra-se à eqüidade severa com que devemos julgar nossas ações, do que se depreende que o fundamento moral do Preboste ou Juiz é a Justiça igual para todos.

Na seqüência natural da lenda, defronta-se Salomão com a necessidade de distribuir a justiça entre os obreiros dedicados à construção do Templo. Por essa razão, instituiu aquele soberano um Tribunal composto por sete prebostes , cujo chefe era TITO , Príncipe dos Harodim, fiel depositário da chave da urna onde eram guardadas as atas das reclamações opostas às sentenças proferidas pelos tribunais inferiores dos harodim.

A chefia dos Harodim significava poder sobre 3.600 dirigentes dos operários construtores. Os sete juizes reuniam-se em Câmara do Meio, funcionando como uma espécie de corte de apelação. Assim, fundamental fazia-se a eqüidade, mesmo porque este tribunal julgava tanto apelos dirigidos por fenícios, quanto aqueles originários do povo hebreu.

Neste grau, o Juiz tem por finalidade incutir no ânimo dos iniciados as idéias de eqüidade e justiça, bem como o amor à sabedoria. Não tem ele hora fixa para trabalhar, porque vai e vem por toda a parte, conhecendo e socorrendo os IIr.`., corrigindo seus defeitos, escutando suas queixas, organizando seu trabalho, enfim, distribuindo a justiça, ao dar a cada um o que é seu. Detém ele a chave de ouro da sabedoria.

Segundo Rosen, a lenda judaica referente aos 3.600 contramestres instituídos por Salomão para a administração da justiça é a base do grau. Aqui, o desejo de saber – característica do 6º grau – transforma-se em posse da ciência, onde os iniciados mostram-se capazes de fazer justiça aos seus Irmãos. É uma consagração que nasce da consciência humana de forma natural, daí a relação deste grau com o Jus Naturalis ou Direito Natural, anterior aos atos voluntários que implica em limitação recíproca. A condição sobre a qual a liberdade de ação de cada um pode ser conciliada com a liberdade do outro, cabendo à sociedade a obrigação de garantir a liberdade de cada um, à vista de objetivos sociais e individuais. Nascido livre e inteligente, tem o homem direitos anteriores a qualquer lei positiva (escrita), e estes são os assim chamados direitos naturais da pessoa humana, derivados da condição racional e garantidores da liberdade, da propriedade, da associação, da legítima defesa, etc.

O preboste ou Juiz, assim, na condição de Maçom, tem imposto a si o dever de fidelidade e apoio mútuo. Não pode, pois, deixa-se levar por quaisquer considerações subalternas, por interesses pessoais, simpatias mútuas ou quaisquer outros entendimentos que não o do estrito cumprimento do dever, da justiça e da eqüidade.


Moral do Grau: Devemos Justiça igual para todos os homens.

NOTAS:
* O termo preboste nos vem do francês medieval e designa um magistrado militar existente nos corpos do exército a quem eram submetidos os delitos perpetrados pelos praças. Era título distribuído também a outros ramos da administração pública. Origina-se do latim proepositus, que significa preposto, indicando, à época, o preposto do rei.
* Tito não é um nome hebraico, mas nome fantasia criado por ritualistas franceses. Nas lendas maçônicas, o personagem Tito é considerado como o inspetor responsável por trezentos harodim ou arquitetos. Os harodim das 12 tribos somavam 3.600.
* Define-se juridicamente o Direito Natural como o conjunto das regras impostas à legislação dos povos pelos princípios fundados na razão e na eqüidade. Seu objetivo é regular e garantir os direitos individuais inalienáveis e inatos, como os direitos à vida, liberdade, honra e patrimônio. Embora muitas vezes essas normas não constem de um código escrito, existem na consciência coletiva e são invocadas sempre que violadas.

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